Há dias, uma pessoa amiga, já perto dos sessenta anos, foi assaltada, à porta da sua residência, bem no centro da cidade do Entroncamento. Foram dois jovens delinquentes os autores de tão digno ato. Com a energia que é própria de tais idades, conseguiram realizar a proeza de roubar a mala que a senhora transportava pendurada ao ombro. Que valentes! Como correram pelas ruas do Entroncamento com a mala e haveres, enquanto a angustiada senhora corria atrás dos atletas, mas com fracas possibilidades de os alcançar. Resultado da corrida: restou à senhora ir à polícia para dar conhecimento do facto.
 
Este acontecimento é um entre muitos e parece que no Entroncamento são frequentes. Pois bem! Todo o Estado organizado deve garantir a segurança de pessoas e bens. É certo que a segurança externa não é uma área exclusiva das autoridades policiais ou mesmo de corpos civis privados. Mas uma coisa se sabe: as autoridades policiais têm de pôr em execução, a todo o momento, medidas próprias da prevenção, combate e detenção contra qualquer ato iminente, visando evitar a sua ocorrência ou, pelo menos, minorar os prejuízos inerentes ao seu desenvolvimento. A Polícia do Entroncamento está fazer isto de modo eficiente e eficaz? Ainda que estes cuidados elementares sejam da responsabilidade de todos nós, é verdade que constituem um dever disciplinar, deontológico e ético das polícias que nos protegem.
 
A vida em sociedade torna-se mais fácil ou difícil conforme se respeitem mais ou menos as leis e as normas de convivência assumidas pela generalidade dos cidadãos. São essa leis e normas que permitem articular a satisfação das necessidades, diminuindo desentendimentos, resolvendo conflitos de interesses, proporcionando um relativo e equilibrado nível de bem-estar.
 
O problema é que haverá sempre aqueles que querem, consciente ou inconscientemente, viver à margem das leis e normas sociais. Por causa deles, por todo o lado, assistimos a episódios de agressividade. Sentem-se inseguras as famílias nos seus lares; sentem-se ameaçados e inseguros os que se deslocam para o trabalho; sentem-se inseguras as crianças que demandam a escola; sentem-se inquietos e desorientados os idosos; há desordens em lugares de diversão; há desentendimentos entre casais; há agressões nas escolas; até parece que a regra é a discórdia e não o entendimento entre os seres humanos.
 
Com certeza que existirão causas profundas que explicam e ajudam a compreender tanta criminalidade. Porém, entre as várias causas, há uma que aparece à cabeça: o assustador défice de educação-formação.
A família, berço da educação e base da sociedade, está moribunda. A escola deveria forjar e consolidar valores como o altruísmo, honestidade, o trabalho, o respeito e a solidariedade. Antes pelo contrário. Nem os professores sabem o que fazer!? Até a autoridade do Estado é permanentemente posta em causa. Põe-se em questão a eficácia dos tribunais, onde os processos-crimes se atulham nas prateleiras e questiona-se a atuação e articulação das polícias. Assim, enquanto não se apostar mais no problema da educação-formação, não há quem nos valha!