Por estes dias, abstive-me de ir a alguns eventos públicos e à cerimónia do Aniversário do nosso concelho, motivos de força maior foram a minha principal razão, mas ao dia de hoje e depois de ler o que por lá se disse, fiquei contente com o facto da oposição construtiva e positiva, efectuada nos últimos anos, ter dado frutos. E assim sendo é disso mesmo que hoje vos quero falar, de oposição.
 
Na política local, como na nacional, existem vários tipos de oposição, cada uma delas com várias características, cada uma delas com vários interesses, cada uma delas com os seus resultados ou falta deles.
 
Ser oposição é, efectivamente, não ser o primeiro escolhido para governar, é não ter conseguido formar uma maioria para governar, é não ser poder. Partindo daqui já podemos começar a perceber que o facto de alguém ser posto na oposição, traz algum desconforto por não ter sido o escolhido, por não ter conseguido o seu objectivo e isso pode se reflectir na sua maneira de estar, na sua maneira de se posicionar quando confrontado com as ideias de quem governa.
 
O que eu penso e acredito é que a oposição, tem e deve ser o fiel da balança de quem governa, deve chamar à razão quem governa, deve ser aquele que fiscaliza a governação, mas ao mesmo tempo contribuindo com ideias, com sugestões, com o intuito de melhorar, não a governação, mas sim o impacto das políticas naqueles que são a razão de ser da política, as pessoas.
 
Infelizmente vemos posturas muito diferentes na maioria das oposições deste país, vemos muitas oposições que meramente votam contra, porque não é da sua responsabilidade, que votam contra porque não são da cor daquele partido, votam contra porque ainda não conseguiram parar de pensar que foram preteridos, que perderem, que falharam o objectivo, até mesmo com algum ressenteimento , em vez de pensar nas pessoas, em vez de pensar no bem comum.
 
A oposição tem de marcar o debate político, com ideias, com um objectivo. Imaginemos uma prova da maratona onde só existe um participante e outra onde existem vários participantes, em qual prova teremos melhores tempos? Certamente na segunda, pois quem vai à frente não se irá acomodar ao lugar, não irá sómente fazer o suficiente, irá fazer mais para tentar ser o melhor. Assim deve ser um mandato político, com uma boa oposição que tenta construir algo, que tem propostas reais, que faz acontecer, que marca a agenda e que consegue que algumas das suas propostas sejam praticadas.
 
Fico com uma sensação de desconforto quando vejo oposições de “terra queimada”, está tudo mal, mas não apresentam propostas.
 
Porque não as apresentam? Porque quem governa as porá em prática e os “louros” não serão para quem está na oposição? Porque simplesmente não são eles que governam? Porque não estão preocupados?
Pois eu prefiro uma oposição que dá ideias, que apresenta propostas e que no fim quem ganhe com isso sejam as pessoas. (acredito ter me regido por esta tendência e assim continuar)
 
Os nossos egos não se podem sobrepor ao bem das pessoas e da nossa comunidade. Mas infelizmente não é isso que acontece.
 
As ideias e as propostas são como os nossos filhos, não são nossos, só o são enquanto cuidamos deles, mas no dia em que forem maiores lá vão eles… Assim devem ser as ideias, elas não são só nossas, elas são para as pessoas, para a comunidade. Se quem governa as implementar, elas passam a ser as ideias de todos.
 
Talvez tenha uma ideia inocente de ver a política, mas a política para mim é virada para as pessoas e feita por pessoas. Não é feita pelos meus egos, pelos meus objectivos e interesses pessoais.
 
Há dias fui confrontado com várias ideia que o executivo aplicou, ideias que eu defendi e defendo, ideias pelas quais me debati. Alguém me disse, aproveitaram-se das tuas ideias para… Ao que eu respondi, “a cidade e as pessoas estão a ganhar e vão ganhar com isso? Então não vejo qual o problema!”
 
Há sim que perceber isso e saber levar essa mensagem, que a ideia surgiu da oposição, mas pela sua qualidade, ou pela sua pertinência, ou pela sua urgência, quem governa levou a cabo, colocou em prática.
E no fim o sentimento que me fica é de dever cumprido de que uma oposição forte, positiva e com ideias, faz melhorar a qualidade de vida das nossas pessoas, da nossa cidade, de todos nós!
 
Que tipo de oposição queremos? Que tipo de oposição somos? Ou vamos ficar pelas redes sociais a criticar, a falar mal, sem dar ideias, sem ser alternativa?
 
Mais uma vez aqui lanço um repto ao leitor, seja activo, tenha uma voz activa na sociedade, mas com ideias, com propostas, com um sentido de melhorar a sociedade.
 
Quando for confrontado com algo que não lhe agrade, ou que o prejudique, lute, manifeste-se mas apresente ideias, alternativas, o que faria no lugar de quem governa?
 
Sei que é um pouco utópico, mas certamente teríamos uma cidade, um país, um mundo melhor.
Teríamos uma oposição melhor e um governo melhor… e não é isso que se pretende da política?
 
Bom Natal e Óptimo 2017.