Todo o ser humano precisa de trabalhar. Trata-se duma verdade lapalaciana. No entanto, ao refletirmos no assunto verificamos que passamos a maior parte do tempo da nossa vida no local de trabalho. Então, há que criar condições para que as pessoas se sintam bem, num espaço geográfico e humano onde seja agradável estar.
 
Que fazer? Desde logo, aniquilar a anarquia e prover os serviços de regras e princípios que disciplinem a atividade, obrigando todos os intervenientes a prosseguirem os objetivos previamente definidos, os quais acabarão por regular a atividade em causa. Os líderes, isto é, os presidentes, as direções, os responsáveis pelos serviços não podem sacudir a “água do capote” e atribuir as culpas aos outros. A culpa morreu solteira porque ninguém a desposou.
 
Devem ter em atenção que o local de trabalho é, por natureza, um espaço de vida que tem a ver com as representações, percepções, emoções e expectativas, das pessoas, e onde se joga a teia das relações intersubjetivas; as tensões, repulsas, coerções, atrações, conflitos… No local de trabalho há rivalidades, simpatias, antipatias que irão ter reflexo no desempenho das atividades. É preciso estar atento aos gestos, aos silêncios, às intenções; sintomas que poderão possibilitar-nos a compreensão da realidade e a indicação da estratégia a seguir.
 
É preciso credibilizar os serviços. Tudo começa no recrutamento. Quão longe estamos da excelência quando se admitem funcionários, em determinados serviços, sem concurso, a partir de critérios duvidosos e, o que é mais grave, contratados à margem da lei e sem as aptidões necessárias para o desempenho das competências exigidos pelos serviços de que irão fazer parte.
 
Mesmo assim, se ao menos tivessem formação profissional ao longo dos anos, talvez conseguissem desempenhar as suas funções com acerto. Mas não! Não há formação profissional. Como é possível que se façam as coisas com acerto?
 
Os bons ou maus desempenhos profissionais radicam em inúmeras causas. O processo formativo é uma delas. A formação tem a ver com a experiência e conhecimentos adquiridos no processo profissional e que constituem a base fundamental para aperfeiçoamento da sua prática laboral. Este processo deve ser contínuo e engloba conteúdos, metodologias, criando condições a nível do saber, do saber fazer e do saber estar adequados à função que se exerce. A própria lei positiva impõe critérios obrigatórios a este nível.
 
O que mais espanta é que são os próprios responsáveis pelos serviços que ignoram os critérios da lei, por entenderem, creio, que a formação profissional, assim como o direito, são coisas que não interessam para o bem-estar dos utentes/clientes.
 
E os serviços fiscalizadores, as auditorias… não funcionam, porquê? Que interesses é que subjazem a uma realidade que nos afecta a todos?