Por estes dias a nossa cidade está em festa, as flores invadem a nossa cidade e milhares de pessoas são atraídas à nossa cidade para ver tal festividade que conta com espectáculos únicos e de relevo regional e até mesmo nacional. Tudo isto bem acompanhado com uma semana gastronómica com o nosso bem típico bacalhau, produto oriundo de terras do norte da Europa e tão típico da nossa região.
 
Esta era a maneira como eu gostava de começar a minha crónica, gostava de poder dar os parabéns a este executivo por uma tão boa iniciativa.
 
Mas não consigo!
 
Infelizmente as nossas ruas continuam vazias, vazias de pessoas e cada vez mais vazias de comércio. As flores, o centro de toda esta festa, são poucas e a arte floral escassa e a que existe é feita na sua maioria por instituições que são chamadas a participar neste evento, temos uma ou outra montra com um ou outro apontamento e as varandas são mesmo muito poucas as decoradas ( para que conste a minha está decorada a fim de poder dar um certo alento a esta iniciativa).
 
Sinceramente, esta festa já devia ter sido alvo de reflexão, ver o que vale, as mais valias que trás, a quantidade de pessoas que realmente envolve, se há uma real adesão à iniciativa.
 
Saber mudar não é um sinal de fraqueza, saber mudar é um sinal de sabedoria, é um sinal de sentir a cidade e as suas gentes.
 
Tenho a certeza que a cidade precisa de mais eventos relevantes para a nossa cidade para além das festas da cidade, mas o caminho feito por este evento ao fim de 5 anos demonstra que este não é o caminho.
 
Já falei neste espaço de uma ideia em que se poderia transformar esta festa, uma festa em torno dos fenómenos e da ferrovia, uma ferrovia que traga gente para ver algo relevante nesta cidade e que não seja apenas um meio para levar pessoas para fora da nossa cidade.
 
Tenho por hábito pensar um pouco “fora da caixa”, de tentar perceber o que leva uma pessoa de uma cidade vizinha a vir ao Entroncamento, o que leva alguém a fazer 10, 20 ou mais Km para vir à nossa cidade. Tem de ser algo diferenciador, tem de ser algo atractivo.
 
Vejamos as agendas dos próximos fins de semana nas cidades vizinhas, eventos diferentes, eventos que atraem, eventos que alavancam a economia local. Enquanto isso nós por cá continuamos com as ruas vazias, não só de pessoas, mas até mesmo de flores.
 
Há, a meu ver, uma falta de pensamento estratégico na criação desta pseudo festa. Precisamos de mais. O Entroncamento tem capacidade, tem pessoas para fazer muito melhor. Para ter um pensamento estratégico para as atividades culturais e não só.
 
Não me querendo repetir, mas o que é que é diferenciador de nós para outras cidades no nosso país? A ferrovia e os fenómenos!
 
Dou por mim a sonhar num evento divulgado nas cidades vizinhas, nas cidades com ligação ferroviária à nossa cidade, onde quem vem de fora é convidado a vir de comboio, quem sabe num comboio diferente com musica a bordo para animar, com uma peça de teatro, com uma recriação histórica, mas isto sou eu a sonhar. Ou quem sabe uma carruagem colocada na nossa rua calcetada com espectáculos únicos ou uma exposição alusiva aos nossos fenómenos, tão esquecidos pela nossa edilidade, mas teimosamente e heroicamente mantidos pela Casa Carloto. Agora vimos alguns textos alusivos escritos no chão da ciclovia, mas que em pouco dão a grandeza necessária que os nossos fenómenos merecem.
 
A nossa cidade precisa de cor sim, mas precisa de cor das pessoas, da cor do movimento das gentes, essas são as cores que precisamos, essas são as cores que as nossas gentes querem, que a nossa gente merece.
 
Como um dia Luther King disse “ Eu tenho um sonho…” que também a nossa cidade possa sonhar, mas mais do que isso , que possa ver o seu sonho realizado de ter uma festa que agregue valor a nossa cidade e que seja um verdadeiro motivo de atração à nossa cidade.
 
Que em 2019 possamos ter uma festa diferente, uma festa das nossas gentes, da nossa cultura, uma festa com que a cidade verdadeiramente se identifique.