Nos últimos tempos, fomos todos espectadores atentos do vocabulário sentido dos nossos governantes, a começar desde logo pelo nosso primeiro-ministro. Começámos pela sua boca, a ser forçados a empobrecer, isto porque pelos visto somos bastante esbanjadores. Depois fomos convidados a emigrar, como se afinal estivéssemos a mais neste nosso rectângulo luso. Finalmente somos acusados de sermos piegas, queixamo-nos demasiado, sem nos assistir qualquer razão.

 

Pois é, o Portugal que o nosso primeiro-ministro governa, parece ser outro, porque aquele que eu conheço e que a grande maioria conhece, é um país bem diferente daquele que o governo diz existir.

 

Em primeiro lugar é lamentável que um governante incite o seu povo à emigração. Quem for forçado e emigrar, que o faça por sua livre iniciativa, não porque os seus governantes ajudam e incentivam a tal fenómeno. Esta geração de emigrantes é altamente qualificada, não é em nada semelhante à emigração dos anos 60 e 70. São jovens qualificados que vão dar o melhor de si noutro país, é todo um sistema educativo que é posto em causa, uma vez que o estado promove o ensino e depois são terceiros a colher os benefícios desse esforço que é um esforço nacional.

 

Mas parece que, se não emigrarmos, seremos mesmo forçados a empobrecer, esse parece mesmo ser o lema da governação actual da nação. Cortam nos vencimentos, aumentam os impostos, porque o objectivo é um e só um, levar-nos rapidamente a empobrecer.

Aliás entre muitos exemplos, olhemos para as auto-estradas que já não se sabe bem para que servem, se a grande maioria dos portugueses não as pode utilizar, tal é o preço vergonhoso cobrado ao utilizador pelo seu uso.

 

E afinal, como se tudo não bastasse, somos piegas!

 

Queixamo-nos demasiado e sem razão aparente pelos vistos! Mas quem se queixa sem ter razão?

 

Os mais de 700 mil desempregados, que lutam diariamente por um trabalho, são esses que são piegas?

 

Os 4 milhões de portugueses que vivem numa situação de pobreza absoluta, que só após a transferência de alguns apoios sociais por parte do estado se reduz tal fatia da população para os 2 milhões. São esses cidadãos que vivem com menos de 360 € messais, para quem a maior parte dos bens essenciais, à sua subsistência,  não passa de uma verdadeira miragem, são esses que são piegas?

 

São piegas os trabalhadores que assistem diariamente ao maior retrocesso civilizacional dos seus direitos laborais, direitos que resultaram de conquistas ferozes e duras durante várias décadas?

 

Pese embora ache que aos cidadãos do meu país assistem verdadeiras razões para se manifestarem e se queixarem, a verdade é que como povo de brandos costumes e sempre habituado a sofrer, preferem sofrer a ter que alimentar qualquer resquício de pieguice. Triste discursa o do nosso primeiro-ministro que além de nos chamar piegas com todas as letras, lembrou-se mais uma vez, de que para vencermos temos que ser descomplexados e competitivos isto porque na cabeça de Passos Coelho, temos demasiados comportamentos preguiçosos.

 

Tristes palavras… triste discurso… triste este país que tem alguém que o governa e que pensa assim, desta forma tão … triste!

 

 

João Lérias