Decidiu a Câmara Municipal do Entroncamento, na sua reunião de 4 de junho de 2018, propor à Assembleia Municipal a criação de um cartão mensal para a cobrança da utilização do parque de estacionamento situado nas traseiras do Hotel Gameiro, designado por “Parque da Estação”.
 
Esta decisão da Câmara Municipal surge por sugestão da Tecnovia, empresa concessionária do estacionamento da denominada Zona A, a qual abrange o espaço em causa.
 
O que leva a concessionária a propor tal instrumento de cobrança para utilizadores mais habituais?
 
Decerto não será novidade para muitos que, o equipamento de cobrança do estacionamento em causa, é constituído por máquinas obsoletas, que aceitando unicamente pagamentos do valor exato da tarifa de estacionamento, não dando trocos, nem admitindo pagamento em excesso, impossibilitam muitas das vezes os cidadãos de poderem utilizar o serviço, que necessitam em tempo útil, restando-lhes muitas vezes ficarem sujeitos às respetivas coimas por impedimento de apresentação do respetivo talão de pagamento do serviço. O que, compreensivelmente, tem originado reclamações por parte do utilizadores.
 
Ora, face a esta situação o mais lógico e indicado seria optar por reprogramar a maquina de cobrança e emissão de talões, ou, no caso de tal não ser viável, simplesmente substitui-la por outra mais versátil, à semelhança das existentes nas imediações nas zonas parqueamento pago que existem na área do mercado municipal. Assim decerto seriam ultrapassados os constrangimentos atras referidos.
 
E, isto, sem prejuízo da criação do tal cartão mensal, mas que fosse um verdadeiro cartão mensal, com o espírito que tal tipo de título encerra. Ou seja: beneficio evidente para aqueles que se comprometem a utilizar de forma mais constante o respetivo serviço, e pela qual são compensados com um desconto expressivo, por analogia, por exemplo com os passes de transporte ferroviário, os quais representam 54% do valor acumulado de títulos de viagem diários. E não o que se propõe, que é nem mais nem menos do que considerar 20 dias úteis por cada mês a €1,15 por dia o que perfaz os €23 propostos como custo mensal do dito cartão mensal, sem qualquer compensação para o adquirente por se predispor ao pagamento antecipado. Vantagem somente para o concessionário garantindo “à cabeça” a total exploração mensal do serviço, com ou sem uso por parte do utilizador.
 
Se tivermos em conta que a Câmara Municipal disponibiliza avenças diurnas (entre as 06:30 horas e as 23:00 horas) no parque coberto da Praça Salgueiro Maia, por €12,5 mensais, e uma taxa de €1,1 para utilização diária para o mesmo horário, será de prever uma fraca adesão a tão fraca solução.
 
Sim, fraca solução! Porque a questão de fundo, a questão substantiva, essa mantêm-se inalterada: a existência de equipamento desadequado à função, com prejuízo dos utilizadores, aqueles com que a Câmara Municipal se deveria preocupar e que, neste caso, somente são vistos como pagantes.
 
Todos aqueles que já foram prejudicados, indevidamente, pela inoperância de serviços que tinham por principio servi-los, deveriam ser ressarcidos dos prejuízos que sofreram e para os quais não concorreram.
O que deveria preocupar a Câmara Municipal, na defesa dos seus munícipes, e mobilizar os seus esforços?
 
Em primeiro lugar pugnar pela melhoria das condições de segurança e acessibilidade dos passageiros à Estação do Entroncamento, uma das mais importantes do nosso pais pela sua valência nodal no panorama da nossa ferrovia, ao servir de plataforma para as acessibilidades à capital, ao norte do pais, ao centro e ao leste. E, neste contexto, os operadores de trafego ferroviário devem aos seus clientes condições de bem estar e comodidade, nomeadamente ao nível de estacionamentos para os seus passageiros. Não basta cobrar os títulos de viagem e os passes, é necessário proporcionar condições facilitadoras para aumentar a utilização do transporte publico ferroviário.
 
Há que perguntar: que é feito de tão propalado projeto de criação do estacionamento junto ao edifício da Estação, que originou a demolição de uma parte do edificado e a saída do “Bar do Sindicato”, do local?
Esta e outras questões incomodas competem por inteiro ser feitas pelos nossos autarcas e em primeiro lugar à maioria que governa a Câmara Municipal.
 
Será que a Assembleia Municipal do Entroncamento, que reunirá em sessão ordinária na próxima sexta-feira dia 29 de junho, vai sancionar a manutenção desta situação inaceitável nos tempos atuais, em que a tecnologia já nos proporciona carros sem condutor mas, pelo visto, neste caso, só nos disponibiliza um equipamento inadequado que só recebe o valor certo?... Nem mais, nem menos.