A Companhia de Teatro do Ribatejo está a preparar a estreia dum espetáculo sobre o mito da fadista SEVERA, considerada a primeira voz do fado do séc. XIX nos Bairros da Madragoa e da Mouraria.
 
Maria Severa, prostituta, cantou em bordéis e tascas de má fama numa Lisboa marginal, morrendo aos 26 anos de idade, mas ficando o mito de fadista. A Companhia de Teatro do Ribatejo iniciou a preparação a partir dum texto de Júlio Dantas, mas esta intensão foi proibida pela Sociedade Portuguesa de Autores considerando que a exclusividade da obra tinha sido comprada por um empresário.
 
Face a esta situação a Companhia informou a SPA que abandonava o texto de Dantas e que todos os textos seriam originais e da autoria do encenador João Coutinho, mas segundo a Companhia de Teatro “nem assim diminui a pressão e a SPA manifestou a intensão de proibir também o titulo do espetáculo não podendo a Companhia utilizar a designação de A SEVERA”.
 
Para a Direção da CTR, “Esta posição é alarmante, dado que esta fadista morreu à 150 anos e o seu nome é património do Fado e do público, percebendo se que afinal tudo isto não passa de proteção a quem tem poderes incompatíveis com o de uma pequena estrutura teatral como a CTR”.
 
Assim, a Companhia, sediada na Chamusca, manifesta em comunicado que “embora considere esta atitude uma decisão de puro autoritarismo, recusa que a sua liberdade artística seja posta em causa e apesar de todas as dificuldades mantém a estreia prevista para abril com o título de "A SEVERA PROIBIDA" aguardando no entanto novas dificuldades”.