A Casa Carloto está presente na cidade do Entroncamento desde 1950, o Entroncamento Online falou com Paula Carloto numa entrevista cheia de nostalgia e de fenómenos.
 
Presente no Entroncamento há quase 70 anos a Casa Carloto é hoje gerida por Paula Carloto, “é com muito orgulho que eu neste momento estou à frente dela, infelizmente porque a vida o conduziu assim, porque foi o meu irmão que depois do falecimento do meu pai ajudou sempre a minha mãe a manter a loja.
 
Infelizmente há cinco anos ele partiu e eu fiquei. Fiquei por várias razões, porque é a minha história, são um conjunto de lojas que são a história do Entroncamento e se calhar até da Península Ibérica”.
 
A nossa entrevistada tem uma ligação profunda com os fenómenos do Entroncamento, o seu pai nos anos 50 criou uma coleção de copos de vidro, entre outros produtos, com decalques de Fenómenos. “Sobre os fenómenos tenho uma máxima que gosto de dizer: o Entroncamento criou, o jornalismo divulgou e a Casa Carloto perpetuou”.
 
O jornalista Eduardo O. P. Brito foi o impulsionador dos Fenómenos e na altura como explica Paula Carloto, o seu pai percebeu o impacto que essas histórias poderiam ter para a cidade do Entroncamento. “O meu pai entra aqui com uma visão que permitam-me o gosto de dizer, uma visão já bastante à frente e percebeu que isto podia ser uma marca para a cidade e uma marca para o seu próprio comércio e portanto o meu pai foi para a Marinha Grande, mandou fazer os desenhos e de alguma maneira foi ele que traduziu a imagem daquilo que eram as histórias que na altura iam aparecendo. Essas imagens foram feitas por um design da altura com base nos depoimentos do meu pai”.
 
Esta coleção está presente para venda na Casa Carloto, tem tido muito sucesso. Paula Carloto fala desta coleção como sendo uma linha cheia de afetos, “é uma linha que pretende juntar naquilo que se chama - adoro o Entroncamento dos nossos avós - pretende juntar aquilo que foi a nossa história nos caminhos-de-ferro, as máquinas, permite juntar os fenómenos enquanto histórias que se passaram naquela altura e permite juntar uma série de edifícios e pessoas. Isto é a nossa história, é a história da qual eu me orgulho muito e acho que todos temos que nos orgulhar muito, porque é uma história muito rica, historias simples mas muito giras e muito cheias de conteúdo.”.
 
A paixão pelo tema dos fenómenos é tão forte que a nossa entrevistada está neste momento a redigir um livro sobre os Fenómenos do Entroncamento. “Este livro é um projeto, que nasceu de mim do professor Vicente e da professora Manuela Poitout, que foram as pessoas que me têm ajudado e que têm escrito fundamentalmente sobre isto, o livro é suposto ser um repositório daquilo que foi um bocadinho a história dos fenómenos do Entroncamento, associados à história da minha Casa que também já é um fenómeno com 70 anos. E pretende também, acordar umas consciências adormecidas e trazer para o dia de hoje aquilo que é os fenómenos e aquilo que os fenómenos podem ser enquanto marca de água da cidade. O livro compõe-se de dois trechos fundamentais, um da Manuela Poitout que de facto faz este enquadramento histórico, um texto jornalístico do professor Vicente, mais avançado com ideias mais alargadas sobre aquilo que isto devia representar para o Entroncamento e agora vai ser completado com uma série de depoimentos de pessoas do Entroncamento que têm alguma coisa a dizer sobre este tema. Do ponto vista institucional, o Presidente da Câmara vai-me fazer o favor de fazer a introdução, o que para mim é muito importante porque significa que a Câmara recolhe-se também que os fenómenos fazem parte da nossa história e a história da nossa cidade.”
 
A data do lançamento do livro está prevista para a altura das Festas da Cidade, “estou a aguardar os últimos depoimentos que estão pedidos e espero poder conclui-lo talvez até a altura das Festas da Cidade, se a Câmara tiver disponibilidade e se houver condições para isso, provavelmente vamos tentar fazer isso nessa altura, senão será um bocadinho depois”.
 
Rita Inácio