Com quase uma dúzia de respostas de alojamento e uma boa restauração, o Concelho de Constância tem de encontrar rapidamente respostas e estratégias para a sustentação do turismo. Os privados estão a fazer o seu papel mas falta esse debate autárquico. Existe um património assinalável como mais valia local.
 
Não podemos adiar mais a aposta no turismo local . O caminho a seguir aponta para a digitalização e para a colaboração directa entre a administração e as empresas privadas Mas é preciso uma entidade gestora independente. O turismo sazonal precisa de respostas e de estratégias.
 
Já defendi a criação do roteiro de Camões e agora permitam-me associar a esse projecto este desafio.
Há muito tempo que venho insistindo na criação da marca «Constância» enquanto produto turístico associado a Camões. A recente opção da município de adoptar o logótipo de Camões parece-me uma boa medida nesse sentido quanto à questão da imagem e do nome.
 
A intenção seria sempre divulgar o património do Concelho e promover o desenvolvimento do Concelho através do turismo: a Casa Memória de Camões, o Jardim Horto de Camões, o parque ambiental de Santa Margarida, o Centro de Ciência Viva, a Igreja Matriz, o património arqueológico de Constância, Montalvo e de Santa Margarida, e todo o património construído e natural concelhio classificado e a classificar (caso por exemplo das ruínas do Castelo onde teria estado Camões segundo uma das tradições – o abaixo assinado da população para a classificação deste património foi entregue na CMC!!!).
 
Para o lançamento no mercado desta marca poder-se-ia recorrer à constituição de uma entidade (cooperativa ou outra), «Constância», através do regime da actividade empresarial local e das participações locais.
 
Esta entidade que iria gerir a divulgação da marca «Constância» teria de ter sede na praça Alexandre Herculano, praça das visitas, no posto de turismo. Aproveito para reforçar a necessidade da reconstrução dos edifícios demolidos da antiga casa «Manuel dos Santos Costa» cujas ruínas em nada prestigiam o local.
 
E assim valorizar-se-ia o centro da vila. Não posso deixar de assinalar e de dar nota positiva ao Hostel existente actividade que tem contribuído imenso para essa valorização da vila em particular. Deu-se assim nova vida ao edifício da antiga pensão «Ribatejo» da «Rebolas». Igualmente, de salientar a existência de pelos menos onze alojamentos turísticos no Concelho segundo os dados disponíveis a circular. Para não deixar de citar a criação de um novo hotel, claro.
 
Na constituição desta entidade gestora da marca «Constância» podem e devem intervir agentes económicos, associações, empresas, entidades de organização de eventos, a título de exemplo.
 
Esta entidade deverá divulgar e promover por si e/ou em parceria: actividades e espectáculos no cine-teatro (está fechado e aguarda as eternas obras), no anfiteatro dos rios e noutros locais e edifícios existentes ou que venham a ser criados; organizar e acompanhar circuitos pedestres, visitas turísticas ao Concelho de Constância e a outros territórios da comunidade do Médio Tejo; promover a educação ambiental no território do Concelho de Constância; explorar equipamentos que sejam da propriedade ou da gestão do município; promover uma agenda anual de eventos ligados a actividades ao ar livre/aventura, exposições, espectáculos, encarregando-se da sua divulgação e promoção em território português e nas comunidades de constancienses no estrangeiro, mediante técnicas profissionais de marketing; organizar, promover e coordenar as Festas do dia do Concelho e do Dia de Camões; usar sempre a marca «CONSTÂNCIA» na comunicação.
 
O modelo desta proposta poderá ser diferente desde que no essencial se defenda a promoção e divulgação das potencialidades turística se culturais existentes de forma profissional e em rede.
 
Actualmente, as actividades turísticas são objecto de análise enquanto conjunto de amplas relações. O turismo só pode desenvolver-se em interacção com as áreas política, económica, tecnológica, ambiental e outras. O turismo enquanto parte integrante do sector terciário da economia pode ter um efeito multiplicador compreendendo um número de empresas considerável que actue directa e indirectamente no seu desenvolvimento. Se for bem planeado poderá ser gerador de empregos e de riqueza. Uma via para a conservação das belezas naturais e culturais que leve a mudanças sociais assinaláveis.
 
Assinatura da Pintura de Malhoa em perigo
 
Há mais de vinte anos que se encontra em degradação a moldura do quadro do pintor José Malhoa, verdadeiro ex-libris da Igreja da Nossa Senhora dos Mártires de Constância. O assunto foi então noticiado na altura no então jornal «Gazeta do Tejo». No final de 2013 pedi à vereação que colaborasse com a paróquia para se salvar a moldura e evitar danos na assinatura do quadro. Após o processo informativo ter sido enviado para a CMC por parte da paróquia, a CMC solicitou à DJPC- direcção geral do património cultural apoio técnico para eventual intervenção. A DJPC informou que poderiam efectuar análise e acompanhamento do restauro se a câmara assumisse os custos inerentes a essas tarefas. A CMC alega que o património é da responsabilidade da diocese e da DJPC estando disponível para providenciar a colocação de andaimes para se verificar o estado de degradação e de deterioração em causa. A CMC embora tenha declarado estar disponível para atender ao que for indicada por aquelas duas entidades já deixou passar três anos e a moldura está relativamente mais degradada. A paróquia não tem recursos para providenciar o restauro em causa pois teve a cargo obras consideráveis (restauro da capela de Santa Ana, da casa da sopa, do tecto da Igreja Matriz, da casa paroquial e vai investir em obras na capela de Santo António. A paróquia de Constância precisa de apoio, parece-me tão evidente e claro que não pode ser ignorado este facto. O quadro é património incluído num imóvel de interesse público.
 
Como é que se sai daqui? É preciso um compromisso entre os candidatos autárquicos para salvar a pintura de Malhoa. Se queremos desenvolver o turismo não podemos abandonar o património.
A CMC não afirma claramente que custeará a obra de restauro. Tem de tomar um posição mais clara.
 
José Luz (Constância)
 
Nota - ver deterioração da moldura em cartão prensado do quadro de Malhoa, na parte de baixo à direita.