EOL - Qual a sua opinião em relação à segurança que se vive atualmente na cidade?
 
JR - Em primeiro lugar, é necessário percebermos um princípio básico que é do senso comum e que todos os estudos internacionais realizados pelos maiores especialistas em Segurança comprovaram: a perceção de segurança que cada pessoa tem do ambiente onde vive tem um impacto direto na forma como se relaciona com a sua cidade e os usos que faz dela. Paralelamente, o modo como as cidades são pensadas e estruturadas, a forma como os espaços são cuidados e mantidos, a gestão autárquica em geral que leva uma cidade a ter vida ou ser um deserto, a postura de comunicação e de gestão da informação de um Executivo sobre a segurança e a criminalidade, e a atuação preventiva e ativa das forças de segurança locais, são os fatores determinantes para a sensação de segurança que as pessoas terão (ou não) ao viverem e se deslocarem numa cidade. Ora, se estes fatores influenciam quer a criminalidade, quer a sensação de segurança por parte de todos nós, então o atual Executivo falhou em toda a linha. Ruas mal iluminadas e descuidadas, com aspeto de abandono; reduzido movimento de pessoas para compras, passeio, desporto, cultura, etc.; políticas de comunicação, informação e sensibilização deficientes, com base em dados não reais e mais preocupadas em proteger a imagem do executivo; ausência de atuação junto das forças e organismos oficiais de segurança; entre outras formas de atuação desta gestão autárquica que contribuíram, significativamente, para a criação de um ambiente “propício ao crime” e ao sentimento de insegurança, sem precedentes no passado.
É extremamente importante que os nossos munícipes tenham, ainda, muito presentes quatro elementos:
1. Nunca, mas mesmo nunca, no passado se registaram tantos crimes ou houve um crescimento tão elevado como o ocorrido nos últimos 4 anos:
 
Vide, por favor, todos os dados oficiais em: https://www.pordata.pt/DB/Municipios/Ambiente+de+Consulta/Tabela
Nota: estes dados, apesar de oficiais, não refletem toda a realidade, pois, segundo as autoridades, temos um número muito significativo de ocorrências que não são denunciadas pelas vítimas.
 
2. Foi este ambiente de deserto, de abandono e de perceção de não atuação da autarquia e das forças de segurança criado nos últimos 4 anos que levou e leva ao aumento da criminalidade. Esta está relacionada não só com o “ambiente de oportunidade para o crime” gerado, mas também com a chegada recente de algumas pessoas de outros concelhos, por exemplo de Elvas, alegadamente, segundo as autoridades, envolvidas na maioria dos crimes registados, nomeadamente contra o património, contra pessoas e tráfico de droga. E registe-se, porque é importante as pessoas terem uma noção clara dos factos, que nem o momento de crise económica de 2008 a 2012 gerou tanto crime na cidade.
3. Este Executivo, Presidente e vereadores e alguns dos seus simpatizantes tentam a todo o custo responsabilizar politicamente a etnia cigana por todos os crimes que acontecem na cidade. Mas é muito importante que os munícipes tenham conhecimento do seguinte: é verdade que uma parte dos crimes está referenciada à etnia, mas a maior parte, segundo as autoridades, é cometida por outras pessoas que não da etnia, sobretudo, os mais violentos. São normalmente atribuídos a pessoas pertencentes a famílias de baixos recursos ou a elementos estrangeiros a residir ou de passagem pela cidade por trabalharem em unidades industriais de outros concelhos. Os de etnia são cometidos quase exclusivamente por menores onde as autoridades têm pouca capacidade de atuação e dissuasão de acordo com a lei em vigor. Os recentes casos recorrentes com elementos de etnia, incluindo os incidentes vários e mais graves nas escolas, são referentes a indivíduos e famílias que chegaram ao Entroncamento de outros concelhos nos últimos três anos e que vivem em casas particulares arrendadas ou compradas. E uma pergunta: se a etnia já reside em número significativo no Entroncamento há mais de quarenta anos, passando por vários executivos, porque é que só nos últimos três a quatro anos é que o número de crimes aumentou tanto e atingiu o valor mais elevado de sempre?
4. A maior parte da criminalidade existente é contra a propriedade (individual e empresas/comercial, pessoal, viaturas e habitação). Contudo, também existem crimes de tráfico de droga, violência doméstica e bullying muito graves, a que devemos atender, e de que ninguém fala porque não servem os interesses políticos da questão da etnia, mas que nós iremos combater veemente.
 
 
EOL - Num critério em que 0 se refere a uma cidade nada segura, e o melhor é não confiar nem nos vizinhos, e 10 a uma cidade tranquila e em que se pode deixar a chave no carro e ir descansado tomar um café à esplanada com os amigos, como classifica o Entroncamento?
 
JR - A nossa cidade do Entroncamento é uma cidade que não sendo 0 deve procurar ser 10 e por isso temos um Plano de Ação e Desenvolvimento Estratégico e Ativo para a Segurança da Cidade.
Uma coisa é a segurança real, outra é a segurança percecionada por cada pessoa. Ambas são muito condicionadas por tudo o que referimos na questão anterior e, assim sendo, o atual executivo é totalmente responsável quer pela criminalidade real, quer pela perceção de insegurança existente. Há nítidos problemas de segurança que carecem de solução, ainda que as autoridades não o reconheçam e que a Autarquia o contradiga no Conselho Municipal de Segurança, levando inclusive alguns autarcas do Partido Socialista em Órgãos Municipais a afirmar perentoriamente a existência de uma tranquilidade que só nos relatórios oficiais pode estar inscrita. Para tal basta consultar o que foi afirmado na última sessão da Assembleia Municipal, de junho de 2017, pelo membro da Assembleia António Miguel.
É importante que as nossas famílias, para se sentirem seguras, tenham efetivamente os autarcas atentos e dinamizadores e as forças de segurança vigilantes, proativas e atuantes. Nunca, repetimos, nunca seremos autarcas passivos que ora dizem estar tudo bem, ora culpam as forças de segurança, ora culpam os criminosos, ora corram para posar em fotos junto das forças de segurança para gestão da imagem política.
 
EOL - Considera que a segurança relativa dos relatórios e das estatísticas e a que é percebida ou sentida pelos cidadãos no concelho são coincidentes ou há diferenças e enviesamentos? Como comenta eventuais divergências, caso considere que existam?
 
JR - À semelhança do que já referimos anteriormente, consideramos objetivamente que existem diferenças entre os dados e aquilo que é vivido e percecionado realmente pelas pessoas.
Este enviesamento é, por um lado, o resultado da política do Executivo em ocultar, não divulgar ou denunciar apenas um tipo específico de ocorrências relacionadas com a etnia para fins políticos. Ficam deliberadamente de fora da comunicação do Executivo todos os outros crimes e ocorrências que realmente acontecem, sendo os órgãos de comunicação social locais a fazerem-no. Deixamos-lhe um exemplo: após as festas da cidade foi realizada uma reunião do Conselho Municipal de Segurança, em que aparentemente o Executivo referia ter sido um sucesso em matéria de segurança, quando houve registo e relatos da população de vários assaltos e tentativas de assaltos, vandalização de viaturas, espaços públicos e propriedades privadas, desacatos e violência com necessidade de assistência dos bombeiros, entre outros. O mesmo tipo de incidentes foi registado à noite pelos munícipes durante a Feira de Abril, com identificação de pessoas pertencentes a outros concelhos, mas apenas divulgados pelos lesados munícipes nas redes sociais.
Por outro lado, além de tratar criteriosamente a informação para fins políticos, este Executivo demonstra ainda um desconhecimento ora global, ora específico da criminalidade do concelho em todas as áreas, suas características, relação com crimes de outros concelhos, entre outros.
Por último, a outra razão para esta situação é, na opinião da PSP, a falta de participação das ocorrências por parte dos cidadãos junto do Órgão de Polícia. No entanto, na opinião pública, os acontecimentos cresceram muito nos últimos três a quatro anos e estão muito além dos dados estatísticos que são aplicados para medir o volume das ocorrências.
Tudo iremos fazer para criar mecanismos de prevenção e atuação ativa na segurança, informação, formação e sensibilização, mas também para registo real de tudo o que acontece, sem medo, sem objetivos e interesses políticos.
 
EOL - Em que aspetos a instabilidade é maior ou tem crescido mais e se tornou mais preocupante?
 
JR - Os dados oficiais e também o relato dos munícipes apontam, como já referimos, para uma maioria de crimes contra a propriedade e pessoas (assaltos e roubos de bens vendáveis a estabelecimentos comerciais, habitações, viaturas e aos próprios). O vandalismo nas ruas da cidade contra o património tem também sido recorrente e tem de ser travado imediatamente, sob pena de este fenómeno alastrar a outras zonas e eventualmente a outros tipos de criminalidade.
Noutro registo claramente inferior, os referentes ao tráfico de droga e violência doméstica (quer entre cônjuges, quer infantil).
Existem, contudo, dois denominadores comuns em todos eles, como já referimos: estes têm aumentado nos últimos três a quatro anos e o sentimento de insegurança também aumentou correspondentemente.
 
EOL - Que medidas espera propor, poder concretizar ou ajudar a realizar caso seja eleito(a)?
 
JR - Repare-se, por favor, por tudo o que dissemos e pela importância que a perceção de segurança tem na vida das famílias que vivem numa cidade, que uma das grandes preocupações da nossa equipa é, sem dúvida, o problema da segurança. Temos que referir ainda o seguinte: esta equipa já realizou mais de meia centena de reuniões de trabalho com escolas, associações, entidades públicas e privadas do concelho e nacionais (incluindo de segurança), teve mais de meio milhar de contactos com os munícipes através do questionário que temos em curso para identificação de oportunidades de melhoria no concelho nas mais diversas áreas, tem todos os dias contactos com dezenas de pessoas, e em todas estas iniciativas e abordagens é vincadamente expressa e solicitada pelos nossos munícipes a necessidade de intervenção na área da segurança; junta-se ao anterior muita investigação e estudo realizados por toda a nossa equipa.
Estes contactos trouxeram valorosíssimos contributos dos nossos munícipes e entidades: não só um conhecimento alargado e aprofundado da realidade, mas também de propostas de iniciativas.
É com base em todo este trabalho que estamos a construir e consolidar o nosso Plano de Ação e Desenvolvimento Estratégico e Ativo para a Segurança da Cidade que comporta como medidas estruturantes:
• Estabelecimento imediato de conversações com as Entidades Governativas do Ministério da Administração Interna e os Comandos da PSP para apresentar um diagnóstico, uma proposta de ações estratégicas e argumentos de sensibilização relativa à situação atual vivida no concelho, como a necessidade do reforço do efetivo policial e a construção da nova esquadra e melhoria das condições de trabalho dos elementos da PSP.
• Implementação do Programa de Iluminação e Sinalização “Cidade Segura”.
• Instalação do Sistema de Videovigilância. Este será desenvolvido e implementado a partir de dois eixos: locais públicos e propriedades privadas; será trabalhado com o apoio das forças policiais e da Comissão Nacional de Proteção de Dados, garantido a observância de todas as regras da manutenção da vida privada.
• Implementação do Programa “Cidadão Vigilante”. Este consistirá na possibilidade de os cidadãos poderem reportar situações e incidentes de forma direta e permanente.
• Plano de Comunicação, Formação e Sensibilização em Segurança. Serão desenvolvidas ações temáticas organizadas e dinamizadas pela CME com envolvimento de várias entidades oficiais e especialistas, dirigidas à população em geral e a públicos-alvo específicos: crianças, jovens, idosos, comerciantes.
• Plano de Emergência da Cidade. Atualização do Plano Global e Definição e Implementação do Plano Específico de cada entidade pública e outras (escolas, lares, …). Realização de formação e simulacros para resposta a acidentes, catástrofes naturais e outros em todos os estabelecimentos.