CONSTÂNCIA III
 
Ah! Constância, bela Constância!
Chegar a ti
É um regresso às raízes...
Estar aqui
É reviver dias felizes!
 
De ti moro longe,
Doce Constância!
Mas estou aqui hoje,
Para de teu perfume
Inalar a fragrância!
 
Chegado aqui,
Vou percorrer-te, passo a passo...
E, desta alta colina da Matriz,
Como Cristo, também abro meus braços,
Mas não vejo urzes, nem calvário!
Daqui, eu vejo o Zêzere e o Tejo,
Num fraterno abraço,
Cuja toalha de límpidas águas,
É o meu sudário!
 
Depois,
Devagarinho,
Passo lento e miudinho...
Desço ao teu belo horto,
Onde vejo o eterno épico,
De rosto altivo e franco,
Que, por muito te amar,
Ali num velho banco
Está sentado a versejar...
 
É Camões!
Homem de paixões!...
E, num murmúrio tão baixinho...
Quase em jeito de ciumeira,
Vou dizendo ao portento:
- “Quem me dera o teu talento,
Para poder ficar aqui,
Neste assento,
Ao pé de ti,
A vida inteira”!
 
 
Autor: Alfredo Martins Guedes