P.I.R.E.S. – Partido Independente dos Ressabiados Eruditos Santanistas
 
(Eis a minha sugestão para o nome do seu novo partido) 
 
Não me julgue mal, caro ex-companheiro Pedro, por agora nesta minha carta aberta estar a sugerir para o seu novo partido este nome acima referido. Foi o primeiro que me saltou de imediato à ideia e, por ser um vocábulo novo no léxico partidário, achei que fosse uma boa escolha. Pese embora este interessante substantivo do nosso verrinoso português ser conotado com algo que tem a ver com subserviência (caso do pratinho de porcelana que suporta a chávena do café) – pessoalmente nunca notei que o meu ex-companheiro de partido prestasse algum dia reverência “gratuita” a quem quer que seja. É claro que se ouvem por aí muitas vozes dizendo o contrário. Mas, no que toca ao cerne desta carta, digo-lhe que não pretendo parodiar com o nome PIRES, nem, tampouco, insinuar que o caro ex-companheiro poderá vir num futuro próximo a desempenhar esse papel político, em favor de A. Costa.
 
Sabe-se que António Costa é astuto mestre na teoria da conspiração política. Que o diga o seu camarada de partido António José Seguro, a quem sensivelmente a meio do respectivo mandato destronou da liderança do PS. Que o diga também Passos Coelho, que embora tenha ganho as eleições legislativas, foi António Costa que subiu a primeiro-ministro!
 
Ao discorrer, agora, sobre esta recente polémica temática da criação de um novo partido, apenas tive em mente um certo voluntarismo, pois reparei na comunicação social, que o meu ex-companheiro Pedro anda ainda um pouco hesitante, quanto à escolha do nome e sigla com que pretende baptizar a sua nova “casa” partidária.
 
Tenho de reconhecer, aqui e agora, que de todos os líderes que até hoje já passaram pela condução dos destinos do PSD, não tenho qualquer dúvida, que o seu estilo e modus operandi político é o que mais se assemelha à figura do carismático e saudoso Sá Carneiro. Como ele um visionário, honesto, inteligente, audaz… o meu caro ex-companheiro encerra em si quase todas as qualidades exigidas a um bom estadista. Digo propositadamente quase todas. Porque, do meu ponto de vista lhe faltam pelo menos duas importantes premissas para o poder considerar um político completo. Falta-lhe constância e a maturidade. Todos nós conhecemos os frequentes ziguezagues políticos protagonizados por (PSL). Parece-nos que nunca se sente bem em lado nenhum. Bem nos lembrámos, que ainda não terminara sequer um mandato numa determinada câmara municipal, e já nos anunciava nos jornais a sua candidatura a Belém, contra um seu companheiro de partido – o ilustre Prof. Cavaco Silva. Estava na presidência da câmara da Figueira da Foz e já queria ir mais não sei para onde… Estes movimentos repentinos de (SL) trazem-nos muitas vezes à memória aquela célebre canção de António Variações, que nos diz: “…estou bem / aonde não estou, eu só quero ir / aonde eu não estou…”
 
Embora nunca tendo votado em si para nada, posso dizer-lhe que sempre admirei o seu carisma político de “menino-guerreiro”! Não seria agora que deixaria de fazê-lo, mesmo sabendo que está em rota de colisão com o nosso PSD, cujo processo de divórcio, pelos vistos, já está em marcha, ou mesmo consumado. Nada disso. Como poderá ver pelo texto desta carta, até me tenho preocupado consigo, visto perceber que formar um novo partido de raiz deve dar um trabalho dos diabos! Foi a pensar nisso, e para lhe poupar tempo, que eu me dediquei à tarefa de lhe escolher o nome do partido que pretende fundar. Não sei se esta minha ideia lhe vai agradar de todo ou em parte. Mas, para mim, acho-o uma excelente escolha. Julgo que o meu caro ex-companheiro bem conhece aquela “estória” da Águia e da Coruja: “Os nossos filhos são sempre os mais belos…”! Cá espero pelo feed back. 
 
Com os meus respeitosos cumprimentos
 
Alfredo Martins Guedes