O atual vereador da Câmara do Entroncamento será o cabeça de lista de candidatos às eleições legislativas do próximo Outono, pelo círculo de Santarém.
 
O anúncio da candidatura foi feito no miradouro de S. Bento, em Santarém e contou com a participação da jovem deputada Mariana Mortágua, além de outros candidatos. Também Ana Cristina Ribeiro, antiga presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, se associou à iniciativa.
 
O miradouro de S. Bento permite uma ampla vista sobre a lezíria do Tejo e fica mesmo ao lado da Escola Sá da Bandeira. “É um local simbólico”, explicou Carlos Matias: “Aqui tive os primeiros contactos com o movimento estudantil antifascista, no final da década de sessenta.”
 
Carlos Matias, de 63 anos, desenvolve atividade política desde 1969. Primeiro em Lisboa, no âmbito estudantil e depois, no Entroncamento, em grupos culturais e políticos de resistência ao fascismo.
 
Concluída a formação em engenharia, foi incorporado na vida militar e, após o 25 de Abril, eleito para a Assembleia do Movimento das Forças Armadas. Mais tarde, já professor, foi dirigente associativo e sindical e membro da direção da Escola Secundária de Alcanena.
 
Quadro superior da PT, largos anos em Santarém, teve funções de responsabilidade nos domínios do investimento, da transmissão e da comercial.
 
Ao longo de décadas, tem participado com inúmeros artigos de opinião em jornais e revistas. Na área da cultura, é membro do Fórum Ribatejo.
 
Carlos Matias foi deputado municipal, no Entroncamento, durante cerca de 11 anos, tendo pertencido também à Assembleia da Comunidade Urbana do Médio Tejo, com intervenção em diversas comissões. De há 7 anos para cá, é vereador da Câmara Municipal do Entroncamento.
 
Em 1975 foi fundador e dirigente da UDP. Mais tarde, ajudou a fundar o Bloco de Esquerda, de que é hoje dirigente distrital e nacional, pois foi eleito para a Mesa Nacional do partido, em Novembro último.
 
Carlos Matias propõe-se recuperar para o Bloco o lugar de deputado pelo distrito de Santarém, ocupado por José Gusmão entre 2009 e 2011.
 
“Rio Tejo é uma riqueza que não podemos perder”
 
Numa breve intervenção, Carlos Matias enunciou pontos do programa distrital do Bloco. “Um documento ainda em construção”, explicou, “ aberto a propostas e sugestões que iremos acolher, falando com muita gente”.
 
Para já, o candidato do Bloco de Esquerda avançou com um ponto programático central. “É preciso defender o Rio Tejo das ameaças graves que põem em causa o rio como fator de riqueza aos níveis económico, ambiental, paisagístico e cultural”.
 
Matias defendeu a urgente revisão dos acordos de Albufeira, por forma a garantir permanentemente caudais eco sustentáveis. “Não podemos deixar secar o rio, como já aconteceu nalguns pontos, em Espanha!”, vincou.
 
Por outro lado, defende o candidato bloquista, tem de haver um rastreio e um combate sem tréguas aos graves focos de poluição no Tejo e em toda bacia hidrográfica. “O que se passa com o Alviela e com o Almonda é muito grave. E o que se está a passar no Eco Parque do Relvão, na Chamusca, parece ser gravíssimo”.
 
Para Carlos Matias, a recente tomada de posição de deputados da atual maioria PSD e CDS em defesa do Tejo é da mais “refinada hipocrisia”. “Anos a fio foram surdos às denúncias de ambientalistas e autarcas. Em véspera de eleições vêm chorar lágrimas de crocodilo… É de mais!”, afirmou.
 
Investimento na ferrovia é essencial
 
O cabeça de lista do Bloco de Esquerda considerou essencial o investimento da ferrovia, “um sector estratégico que não pode ser entregue à iniciativa privada”. Defendeu a paragem e, se necessário, a reversão dos processos de privatização da EMEF e da CP Carga.
 
Por outro lado, para combater o desemprego e garantir a dignidade de quem trabalha e de quem já se reformou, Carlos Matias defendeu a adoção generalizada das 35 horas de trabalho semanal e a reposição de salários, reformas, concessões e subsídios cortados. É o caso das concessões transporte retiradas aos ferroviários e às suas famílias e que PSD e CDS continuam a recusar.
 
Um projecto de Resolução no sentido da reposição das concessões, apresentado na Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda, será votado no próximo dia 22. NO entanto já tem chumbo anunciado, precisamente com os votos contra de PSD e CDS-PP.
 
Carlos Matias promete não esquecer essa aspiração dos ferroviários e das suas famílias, caso venha a ser eleito em Outubro.