Adoptando a ancestral sabedoria popular, de que o verde é a cor da Esperança, boa parte da massa adepta e associativa do Sporting, sempre foi conhecida pela sua enorme dose de resiliência, tolerância, e até mesmo uma ilimitada dose de paciência!
 
Quase sem pestanejar, tem sido capaz de esperar longos períodos de cerca de dezoito anos para vencer um campeonato Nacional, uma simples Taça de Portugal ou uma Taça da Liga. Triste sina tem o clube do meu coração, este Sporting Clube de Portugal!
 
Porém, nestes tempos mais recentes, altura em que até parecia querer trilhar o definitivo sentido das grandes conquistas, eis que lhe surge em campo aberto o seu próprio presidente Bruno de Carvalho, armado em vingador “guerreiro” – assim ao bom estilo Dom Quixote – aquele famoso cavaleiro-da-triste-figura, pois outra coisa não tem feito se não colocar no caminho leonino um maligno e asperoso tapete de espinhos e cardos, aparentemente no deliberado propósito de lhe dificultar essa sua triunfal caminhada.
 
Agora que o clube de Alvalade parecia querer levantar a cabeça, não deixa de ser curiosa, mas muito inquietante esta atitude de Bruno de Carvalho. Diz-nos um antigo ditado popular: - “Há por vezes razões, que a própria razão desconhece”! Partindo desta premissa, muitos sportinguistas não deixarão se se interrogar: “Qual será a verdadeira razão de presidente Bruno”? Quererá ele destruir o Sporting? Estará ele ao serviço de alguma poderosa força oculta?
 
Com amigos destes a marcar golos na própria baliza, não precisa o Sporting de se preocupar com inimigos externos! Mas o mais preocupante em tudo isto que se está a viver em Alvalade, é a inacreditável passividade e o enorme silêncio das grandes massas humanas sportinguistas! Assistem de cadeira a todas estas tristes peripécias e nada dizem. Seria espectável que, perante toda esta balbúrdia levantada em Alvalade por Bruno de Carvalho, alguém se erguesse e perguntasse: “Onde está a verdadeira Alma Sportinguista? Porque razão ninguém dá a cara e se levanta contra esta espécie de tirano de meia-tigela? Será que a mística leonina acabou ou se transformou num movimento “carneirista”, assim ao estlio de certos partidos políticos?
 
Bruno de Carvalho devia reconhecer que foi o Sporting que lhe deu visibilidade nacional e até dinheiro. Veio do anonimato e agora julga-se o rei da festa! Apanha-se frente a uma televisão e um microfone e já não há quem o cale. Farta-se de debitar disparates, que apenas prejudicam o clube leonino. Quem se julga ser Bruno de Carvalho? Um filósofo grego ou francês? Se ele próprio se tem nessa conta, penso que está muito equivocado, visto que o seu discurso roça os anais da vulgaridade e até da inconveniência social!
 
Esta espécie de obsessão truculenta de Bruno de Carvalho em se expor tão assiduamente à comunicação social, faz-me lembrar aquele idêntico apetite verbal de Honoré Mirabeau – (1749 – 1791), famoso filósofo e activista da Revolução Francesa.
 
Não dispondo dos meios tecnológicos comunicacionais de hoje, limitava-se então aquele ilustre académico francês a aproveitar qualquer altinho de rua, bancos ou coretos dos jardins públicos e mesmo até altos escadórios, para dali “botar” discurso aos passantes, facto que lhe valeu o epíteto de “Mirabeau da canalha”!
Pela parte que me toca rezo a todos os santinhos para que o mandem embora o mais breve possível. Só assim o Sporting e os respectivos jogadores passarão a ter a necessária paz, para conseguirem obter melhores resultados desportivos! 
 
Aveiro – 09 de Abril de 2018.
 
Autor: Alfredo Martins Guedes