Qual bergantim, em oceano encapelado...
Também vou navegando, neste mar de poesia!
E pela força de Éolo, vivamente impulsionado...
Esperançado no futuro, mas às vezes desolado...
Em busca de novo mundo, avesso à hipocrisia!
 
Minh’alma ora embrenho, nesta densa bruma...
Erguendo bem alto, a pacífica branca vela!
E com firme quilha, eu desbravo a espuma...
Vou sonhando e contando as estrelas, uma-a-uma...
Com rumo ao temerário desafio da procela!
 
Sigo afoito nesta barca, de Amor e fantasia...
Enfrento seus escolhos, tormentas, vendavais!...
Versejando todo o tempo, seja noite, seja dia
Pois sem a rara beleza e verdade da poesia
Quão triste seria, este mundo de mortais!
 
E assim cá vou vencendo, alterosas vagas...
Mesmo, por vezes, ficando de leme torto!
Também o Nazareno suportou Suas Chagas...
Infligidas por fariseus, em cruéis e grossas vagas...
Mas levou a Fé do Pai, a feliz e salvo Porto!
 
Aveiro 30.06.2018 - Ass.: Alfredo Martins Guedes