A Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-ferro (APAC) em parceria com o Museu Nacional Ferroviário está a restaurar a automotora “Nohab” 0111, num projeto inédito no nosso país, financiado pela própria APAC, que disponibiliza também trabalho voluntário, sob supervisão técnica e científica do Museu Nacional Ferroviário.
 
Cerca de uma dúzia de voluntários, oriundos de vários pontos do país, tais como, Barcelos, Melgaço, Pinhal Novo, Lisboa, Caldas da Rainha, Alcains, entre outros, reúnem-se de 15 em 15 dias no Entroncamento para sessões de restauro, que podem ser acompanhadas por quem visita o Museu.
 
Foi o caso deste sábado, dia 9 de junho em que se realizou mais uma sessão, onde marcaram presença seis voluntários, que prescindiram de um dia de descanso para trabalharem no restauro de uma automotora, que um dia mais tarde, ficará à disposição dos visitantes do Museu Nacional Ferroviário, para ser observada e fazer parte da história ferroviária.
 
O EOL esteve no local, antes dos trabalhos começarem visitou a automotora e falou com João Cunha da APAC que referiu que um dos objetivos destas sessões abertas “é cativar mais gente a juntar-se aos trabalhos – eventualmente até ex-ferroviários ou ferroviários ainda no ativo – de modo a valorizar a coleção museológica, em particular com as peças mais relevantes, como é o caso”.
 
A APAC para poder disponibilizar meios financeiros para efetuar esta recuperação para além do trabalho voluntário, recorreu á impressão da revista Trainspotter, que já existia online, e são os proveitos gerados com a venda da revista, que são aplicados no restauro.
 
Recentemente o projeto recebeu o apoio da CIN, que colabora com o fornecimento das tintas e vernizes aplicados nos trabalhos.
 
As automotoras de fabrico sueco “Nohab”, cujo fabricante já não existe, iniciaram a sua atividade em Portugal em 1948 e terminaram o serviço comercial em 2006. A Nohab 0111, que foi atribuída ao Museu Nacional Ferroviário saiu de serviço em março de 2005 e passou vários anos ao abandono e exposta ao vandalismo na praia de vias do Barreiro-A.
 
A 0111 foi retirada do Barreiro em 2012, por alturas do abate de outras automotoras que ali esperaram o seu destino final. Foi então encaminhada para o Entroncamento onde o seu resguardo em zona segura impediu a continuação da degradação deste veículo.