
A Rotunda de Locomotivas do Museu Nacional Ferroviário foi inaugurada na manhã de sexta feira com a presença da Secretária de Estado da Cultura Paula Santos e da Secretaria de Estado dos Transportes Ana Paula Vitorino.
Foi a primeira construção executada pela Fundação do Museu Nacional Ferroviário, que agora alberga algumas locomotivas e duas carruagens. Trata-se de um edifício de linhas arrojadas mas ao mesmo tempo simples para não ofuscar as preciosidades que recolhe.
Carlos Frazão, Presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário, foi o primeiro orador da sessão de inauguração, agradeceu às comissões instaladoras que precederam a Fundação, “que deixaram alguns instrumentos valiosos, como seja o próprio projecto da rotunda”. Carlos Frazão referiu ainda que, “os Museus não são meros depósitos de coisas velhas ou de coisas antigas. Devem ajustar-se á sociedade e devem reflectir as suas maiores ambições. Devem ser contemporâneos”.
O Presidente da Câmara, Jaime Ramos, disse tratar-se de um dia histórico para o Entroncamento, “o sonho acalentado ao longo de tantos anos, de termos um Museu Nacional Ferroviário, começa a tomar forma e a sair do projecto. Estamos de parabéns”. Mas Jaime Ramos não perdeu a oportunidade para enviar alguns recados: “ Espero que a Srª secretária de Estado dos Transportes, assim como os Senhores Presidentes da Refer e da CP, olhem para a Estação do Entroncamento como uma prioridade, em termos de modernização e especialmente em termos de segurança dos seus utentes. A população desta cidade ferroviária, tem sido ludibriada ao longo dos anos com estudos e mais estudos. Obra nada! Chegou a hora de exigirmos aquilo a que achamos que temos direito: Uma Estação ferroviária moderna, mas acima de tudo, segura”, reclamou Jaime Ramos.
Paula Santos, Secretária de Estado da Cultura, salientou a importância deste espaço que,” permitirá a partir de hoje, mostrar ao público, uma pequena mas significativa, parte do património ferroviário das colecções do Museu”.
Finalmente, Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes, salientou “o empenhamento do Governo neste projecto. Este espaço inaugura a nova era do Museu Nacional Ferroviário, integrando-se na construção do complexo museológico que surgirá neste local. Este será criado e desenvolvido, pelo arquitecto Carrilho da Graça, que hoje irá apresentar o Mater Plan da árvore museológica do Entroncamento. Este plano director do Museu, enquadra todo o conjunto arquitectónico e funcional, prevendo para além do espaço de exposição da selecção outras componentes essenciais. Oficinas de conservação e restauro, Museu virtual, serviços educativos, centro de documentação, centro de investigação e promoção de tecnologias. No total o investimento estimado do Museu Nacional Ferroviários, é de 40 milhões de euros, com financiamento publico, nacional e comunitário e também privado”.
Esta obra, da autoria do Arquitecto Abílio Junqueira, foi financiada pelo PIDDAC / Transportes e pelo POC – Programa Operacional da Cultura e teve o seu arranque na tarde de 24 de Março de 2007, quando numa operação de grande aparato logístico foram retiradas as carruagens e locomotivas, da antiga rotunda ( ou redonda, como é conhecida entre os ferroviários).
A Rotunda de Locomotivas é o elemento mais característico do Depósito a Vapor, uma estrutura edificada que servia para recolha do material circulante. No seu interior apresenta 13 vias que confluem para uma placa giratória, que por sua vez conecta com as vias da estação e inverte a marcha das máquinas.
Esta é uma reinterpretação da antiga “cocheira de locomotivas”, de forma concêntrica, que aqui existira noutros tempos, acabando por ser implodi da pela CP em 1976, com a ajuda da Engenharia Militar e três cargas de dinamite, tal era a resistência do edifício. Pertencente à Estação do Entroncamento, esta era uma das duas Rotundas que aqui existiam, com duas placas giratórias. Na gíria ferroviária este edifício é muitas vezes tratado por “Redonda”.
A nova Rotunda serve agora de espaço expositivo do Museu Nacional Ferroviário, onde estará exposto algum material circulante, que não só locomotivas a vapor. Aqui poderá ser também apreciado outro tipo de material circulante, com outras formas de energia, como o diesel, para além de algumas carruagens, como a Carruagem-Hospital e a Carruagem Presidencial, dos anos 30, utilizada pelos presidentes Carmona, Craveiro Lopes e Américo Tomás. Uma carruagem de primeira classe, quarto-hotel, apta a reuniões e refeições dignas e austeras.
Este novo espaço, da autoria do Arq. Junqueira, inaugura a nova era do Museu Nacional Ferroviário, deixando antever a construção do complexo museológico que surgirá neste local. Será criado e desenvolvido por um reconhecido arquitecto da nossa praça, o Arquitecto Carrilho da Graça, que neste dia irá apresentar o Mater Plan do futuro Museu.